A sexualidade é, também, uma forma de comunicação entre as pessoas, sendo influenciada pelas experiências vividas durante a infância e adolescência. No atual contexto vivemos um paradigma: por um lado, o controle da fertilidade permitiu as relações sexuais sem fins reprodutivos, libertando as mulheres; por outro, a pandemia do vírus da imunodeficiência humana (HIV) e o aumento dos casos de outras doenças sexualmente transmissíveis (DST).
Adolescência, juventude e puberdade
A Organização Mundial da Saúde (OMS) delimita a adolescência como a segunda década de vida, dos 10 aos 19 anos, e a juventude como o período que vai dos 15 aos 24 anos.
A puberdade é o período das mudanças físicas que resultam no amadurecimento sexual e possibilitam a reprodução. A adolescência compreende todas as mudanças sociais e emocionais dessa faixa etária.
As fases dos relacionamentos na adolescência
Na literatura temos a descrição de cinco fases da sexualidade do adolescente: o envolvimento romântico, como o namoro; a identidade com o parceiro, relacionada às características das pessoas com quem “saem”; a relação de conteúdo, ou seja, o que os parceiros fazem juntos; a qualidade do relacionamento, que pode ser positiva, de apoio ou proporcionar experiências benéficas; e os processos cognitivos e emocionais no relacionamento.
Transformações corporais, desejos e emoções
A “tempestade da puberdade” é um período de profundas transformações corporais e de intensos desejos sexuais. Nessa fase, crianças e adolescentes podem se masturbar por sentir prazer nesse ato. É quando ocorre o início da atividade sexual genital propriamente dita, que Freud denominou “fase genital”.
A satisfação por meio da descarga caracterizada pelo orgasmo, capaz de proporcionar uma satisfação final ou “prazer final”, pode se dar, entretanto, através de prazeres preliminares, ou seja, prazeres nos quais as zonas genitais ainda não assumiram seu papel preponderante.
O desenvolvimento sexual não acontece isoladamente.
O comportamento sexual depende da etapa de desenvolvimento, do relacionamento familiar e do contexto social no qual o adolescente está inserido. O diálogo deve considerar sentimentos, dúvidas, valores, prevenção e respeito.
O papel da família e do contexto social
Entretanto, o comportamento sexual de um indivíduo depende não só da etapa de desenvolvimento em que se encontra, mas também do relacionamento familiar e do contexto social no qual está inserido.
O sexo desempenha papel importante e básico em nossas vidas. Para o ser humano, a atividade sexual não se restringe à reprodução; ela é fonte de prazer. Entretanto, ao mesmo tempo em que o adolescente sente fluir os impulsos sexuais, pode sentir culpa e medo do que está sentindo. Além disso, pode viver angustiado por ter comportamentos e anseios diferentes daqueles que os pais recomendam em relação ao sexo.
Identidade, experimentação e aprendizagem
Durante a adolescência é comum observar uma fase de maior proximidade e identificação com pessoas do mesmo sexo, em que as meninas convivem intimamente com suas amigas, trocando confidências, e os meninos buscam parceiros para brincadeiras e vivências. É uma fase de experimentação sexual que, geralmente, não determina a identidade sexual adulta futura.
A moda unissex mostra claramente a ambivalência da definição sexual na adolescência. Através da roupa e do cabelo pode-se ver como o jovem expressa seus conflitos de identificação sexual. Portanto, é normal que na adolescência apareçam períodos de predomínio de aspectos femininos no menino e masculinos na menina.
A posição heterossexual adulta exige um processo de flutuação e aprendizagem de ambos os papéis. As experiências homossexuais ocasionais entre adolescentes não podem ser consideradas patológicas, pois fazem parte de um processo de angústia e definição sexual.
Construção da identidade e orientação segura
A adolescência é o período de desenvolvimento no qual a identidade está sendo construída. As taxas de gestação na adolescência, embora tenham decrescido em países em desenvolvimento, permanecem elevadas.
Devemos estar atentos a essas mudanças e conhecer as fases em que nossos filhos se encontram para melhor entendê-los e orientá-los, favorecendo uma adolescência segura e saudável.
Referências bibliográficas
- Brilhante AVM, Catrib AMF. Sexualidade na adolescência. Femina. Outubro de 2011. Vol. 39, nº 10.
- Knobel M. Adolescência e sexualidade. Rev. Inst. Psicol. PUCCAMP. 1984; 1:57-75.
- Taquette, Estela R. Sexualidade na adolescência: construção da identidade sexual.